Dei por mim ontem, durante uma aula, a divagar sobre as máscaras que usamos, mais propriamente sobre as máscaras que uso.
A vida tem tanto de simples como de complicada dependendo da forma como a quisermos ver.
A velha questão do copo meio cheio ou meio vazio...
Apercebi-me que, com o passar dos anos o número de máscaras que tenho foi aumentando.
E vou variando diariamente de máscara.
Sei que no trabalho uso a máscara da pessoa que tem sempre um sorriso grande e bem disposto, naturalmente para as pessoas de quem gosto, mas mais propositadamente para as pessoas que não gostam de mim e, pouco a pouco tentam destruir-me.
Tentam diariamente arranjar motivos para me pôr para baixo, ao nível delas e à sua infelicidade.
Pena não conseguirem... Vivo demasiadamente bem comigo própria para tal.
No entanto, por vezes ouço tantas barbaridades dirigidas à minha pessoa que, mesmo fingindo que não ouço e por consequência, não respondo à maioria das provocações, mantenho para essas pessoas em particular sempre um sorriso especial.
Por vezes respondo... Com educação e normalmente com a minha máscara de "burra", assim como quem não percebeu muito bem onde queriam chegar.
Depois temos as pessoas que nos tentam atingir directamente através do nosso trabalho.
E se há algo que eu não admito que ponham em causa é o meu profissionalismo.
Mesmo assim, quando algo me é apontado, defendo-me, explico e mesmo sabendo que o fazem propositadamente para denegrir o meu trabalho, como raramente deixo pontas soltas, acabo sempre por ter uma justificação para quase tudo bem como já estou munida de provas, datas e factos que levaram a determinadas situações e opções.
São armas de defesa... Aqui uso a minha melhor máscara de profissional responsável e sempre acompanhada por um sorriso para quem me anda aqui a tentar denegrir.
Quando saio, na faculdade, com a cabeça por vezes completamente aos papos do dia de trabalho, mantenho a máscara de bem-disposta.
Afinal, os outros não têm culpa dos meus problemas fora da faculdade.
Quando vou às compras, por muito aborrecida que esteja com qualquer coisa, acabo inconscientemente por usar outra máscara...
Se encontro família e amigos e se tenho algum problema, temos mais uma máscara... A de que está tudo bem por todos os lados e só estou mesmo com "aquela" cara porque ando cansada.
Normalmente acreditam.
Mas, e como tudo na vida tem um mas, os meus pais e os meus padrinhos (como já disse não faço distinção entre eles) deitam tudo por terra.
Use a máscara que usar basta o meu olhar para perceberem que não se trata só de cançaso.
É aqui que tenho a maior dificuldade em manter uma máscara para não os preocupar com coisas pequeninas.
E ao fim do dia, quando chego a casa e sou recebida alegremente pelas minhas gatas, sinto-me grata...
Vou retirar a maquiagem e ao mesmo tempo tiro qualquer máscara.
Olho ao espelho e o que vejo sou simplesmente eu.
Uma pessoa que por muitas máscaras que use, em especial no trabalho, todas elas têm um fundamento de um sorriso porque no fundo sou assim... Feliz!
Com os meus momentos naturalmente (por vezes cai a máscara e choro), mas normalmente feliz, de bem comigo própria e por consequência com o mundo.
E enfim, pode ser por vezes cansativo ter que, diariamente, conjugar não só a roupa que vou vestir como a máscara que vou usar.
Mas a vida não é fácil.
Aliás, viver é fácil, saber viver é que já é mais difícil.
Mas com o tempo aprende-se e as máscaras não passam mesmo de uma armadura para que nos atirem as setas que quiserem provocando o menor número de danos colaterais possível.
xoxo
Lux