"If you always do what interests you, at least one person is pleased" Katharine Hepburn

Vaidade?! O meu Pecado favorito... Lux


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Palavras que podiam ser minhas


"A blogosfera tem uma relação infantil com as personagens ditas públicas. Aliás, com tudo. Celebram-se campeonatos de futebol, prémios de cinema, novos discos, nascimentos de filhos de famosos com tanta leveza que tenho dias que acho que a maioria dos blogues são escritos por crianças de 10 anos. Mas mais assustadora é a explosão de sensibilidade quando ocorre a morte de uma pessoa famosa (conhecida não conta, tem de ser famosa e explicada pelo telejornal da TVI para a gente saber mesmo quem é o morto): de Miguel Portas, ao Bernardo Sassetti, passando pela Amy, a Cesaria Évora ou a Whitney Houston, não há blogger que não corra a escarrapachar o obituário com uma urgência atroz, com textos sentidos, tratando os mortos por tu, num tom de proximidade confrangedor e altamente ridículo, como se quisessem demonstrar que eles também gostavam de verdade do artista, do político, da pessoa pública. E quem diz blogues diz twitter e facebook: aqui a cambada não perde oportunidade para se sentir amigo íntimo dos mortos, permitindo-se publicar no mural do FB textos afligidos dedicados, como no caso do desgraçado do Bernardo Sassetti, não só ao morto, mas à mulher, aos filhos, à mãe, chorando a perda da obra, mesmo que nunca tenha ouvido uma puta de uma música escrita por ele. Vergonha na cara, não? Mas quem é esta gente, caramba? Pior que isto, só os posts escritos sobre o MEC e a penosa doença da mulher. Só não sente quem não é filho de boa gente, eu sei, mas estas odes a puxar à lagriminha, toda esta gramática sobre o amor e o cancro (maldita doença, desgraça infinita, bla bla bla) deixa-me envergonhada. É indecente de tão exibicionista. Ante a doença, a dor, a morte, deveria exigir-se decoro, silêncio, bom-senso, deixar os mortos em paz e os doentes no calor da sua casa, deveria ser obrigatório um luto interior e não este espectáculo público de dor global, num circo ao mais puro estilo a morte-e-beatificação da Lady Di. Choramos aqueles que amamos. O resto é prostituição da dor."

E mais uma vez leio e aceno com a cabeça as sábias palavra da Rititi, no seu blog Rosa Cueca.
Acrescento apenas que eu não diria melhor.

A ver se crescem...
Ou, pelo menos, ganham alguma vergonha na cara.

Lux

2 comentários:

ombemua disse...

E eu penso o mesmo!!
Js para não falar dos tais dias que todos escrevem o mesmo. começar pelo dia da mulher e acabar no são valentim.....até adivinho os temas.

Baci*

Olívia Palito disse...

Embora eu não tenha esse hábito relatado no post, não me incomoda quem o faz. Em suma: não concordo lá muito com o post da Rosa Cueca. Acho um tanto ou quanto exagerado. Mas é a minha opinião, claro. :)

Beijinhos, Lux.